quarta-feira, 27 de maio de 2015

outrora o semeador saia a semear... - Fátima Teles

outrora o semeador saia a semear...

foram tantos caminhos, tantas estradas, cada flor regada a água e calor, pela doação de seu amor. Porém, nada restou, cada flor escolheu um jardim e por lá ficou.

o semeador cansou, se esgotou...

a certeza do plantio ficou. O semeador compreendeu que cada flor tinha um tempo pelas suas mãos, para lapidação, carinho e proteção. Agora cada uma segue em seus jardins. Deixaram de ser preocupação do semeador, que foi viver também, enamorando a sua beleza, o seu próprio amor, o seu jardim interno.


das flores, lembranças...

uma é lembrada pelo seu perfume, outra pelo seu jeito de despetalar-se, outra pelo abrir-se de suas pétalas, outra pela força íntima...

apenas recordação!

a vida segue seu curso...

o semeador torna-se flor!
caminhará agora buscando ser o encantamento, não mais o encantado.

Fátima Teles

sexta-feira, 22 de maio de 2015

As muitas mortes que eclodem através da morte de um ente querido- Fátima Teles



As muitas mortes que eclodem através da morte de um ente querido

Quando alguém do convívio cotidiano parte para outras esferas, há um processo de ruptura entre o corpo ausente e aqueles que ficaram com a dor da saudade.
Essa ruptura dá origem a outras mortes que provocam outras rupturas na vida dos que ficam. Quando se perde um pai ou uma mãe principalmente, há também ai a perda da referência, da identidade. Há o medo de olhar o mundo lá fora, de confiar nas pessoas, de ser livre, de viver, de abrir-se. Para isso não há idade.

O processo de ruptura leva de nós sentimentos ou coisas que nos incomodavam e faz um arrastão dentro da gente que nos convida a enfrentar a realidade da forma mais verdadeira que pode existir.

Ilusões se vão...passamos a analisar a vida pela razão.

Amores deixam de ser importantes, pois passamos a compreender que ninguém é de ninguém e que a vida é efêmera. Passamos a deixar as pessoas a vontade até o ponto de irem embora, se julgamos que seja melhor.
Amores platônicos deixam de existir e a possibilidade de amores virtuais também deixam de existir, pois começamos a acreditar no amor palpável. Esses amores morrem.

Amizades são selecionadas e mantém-se vivas até enquanto puderem  demonstrar amizade.
Ficamos mais inteligentes e passamos a compreender que as pessoas gostam de ter funções em nossa vida. Há quem queira ser útil na dor, há que queira ser útil na alegria, há quem queira ser apenas presente,  há quem não queira nada...

Há quem goste de nós perto, há quem goste à distância, há quem goste de nos ver, há quem goste através das telas virtuais e pelos e-mails, há quem goste apenas quando precisa de alguma forma e há quem goste de todo jeito , toda hora e para sempre.



quinta-feira, 21 de maio de 2015

A primavera de junho de 2013 e a democratização da mídia - Fátima teles e Pedro César Batista



A primavera de junho de 2013 e a democratização da mídia

Por Pedro César Batista
Jornalista e escritor
Conselheiro de Cultura do Distrito Federal (Literatura)
Secretário Geral do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal
Coordenador Geral do Movimento Cultural de Olho na Justiça

Fátima teles – Assistente Social

Para GOHN (1999), Movimentos Sociais são ações coletivas de caráter sociopolítico, construídos por atores sociais. Eles politizam suas demandas e criam um campo político de força social na sociedade civil. Suas ações estruturam-se a partir de repertórios criados sobre temas e problemas em situação de conflitos, litígios e disputas. As ações desenvolvem um processo social e político cultural que cria uma identidade coletiva ao movimento, a partir de interesses em comum. Esta identidade decorre da força do princípio da solidariedade e é construída a partir da base referencial de valores culturais e políticos compartilhados pelo grupo.
Considerado no Brasil como a Primavera de Junho, o Movimento Passe Livre deflagrou pelas ruas do Brasil em Junho de 2013 um movimento de massas como não se via desde a campanha pelo afastamento do ex-presidente Fernando Collor de Melo e da campanha pelas eleições diretas para presidente. Reuniu milhões de pessoas, aglutinando os mais variados segmentos desde os jovens, a classe trabalhadora e setores da classe média. A partir de uma luta pontual em torno da questão do preço da passagem no transporte público, com a defesa do Passe Livre, cresceu e agregou outras bandeiras como o combate a corrupção no país, abrindo espaço para outras reivindicações e debates como o casamento igualitário para as pessoas do mesmo sexo, o combate à homofobia, a desmilitarização da polícia militar, entre outros.
Entre os grupos que estavam a frente dos movimentos, o Movimento Vem pra Rua possui sua legitimidade, pois mesmo tendo seu direcionamento político e sabendo o que reivindicava, outros grupos e pessoas também aproveitaram para levarem suas reivindicações pontuais e específicas. Entretanto, pela falta de clareza política o Movimento Vem pra Rua possibilitou que a mídia o usasse, iniciando, então uma vasta campanha, a partir das ações praticadas pelos black blocs e outros setores mais radicais, com a mídia realizando calúnias, torcendo a informação e criminalizando o movimento.
As jornadas de junho de 2013 foram comparadas a passeata dos cem mil que aconteceu no Rio de Janeiro em 1968, onde a população brasileira foi as ruas lutar pelo fim da Ditadura Militar.
“As redes são estruturas da sociedade contemporânea globalizada e informatizada. Elas se referem a um tipo de relação social, atuam segundo objetivos estratégicos e produzem articulações com resultados relevantes para os Movimentos sociais e para a sociedade civil em geral.” GOHN: 2007.
No primeiro momento do Movimento Vem Pra Rua, as redes sociais assumiram um papel significativo, informando em tempo real, divulgando, articulando e viabilizando o acesso à criação de grupos, fóruns de debates e opiniões. Podemos afirmar que as redes sociais na contemporaneidade realizam uma nova forma de fazer revolução. Ela realiza a revolução de maneira silenciosa numa proporção grande, rápida e intensa.
A Mídia vendo a possibilidade de renascer o espírito político da juventude brasileira, tenta implantar um novo golpe, reforçando seus aliados históricos, desde os tempos da ditadura, com a velha direita mostrando suas posições reacionárias e antidemocráticas, usando mesmo as redes sociais, manipulando informações e notícias sobre os movimentos sociais, criminalizando-os e assim amedrontando a sociedade para que não participe de ações, como foram as de junho de 2013.
“Os Movimentos sociais progressistas atuam segundo uma agenda emancipatória, realizam diagnósticos sobre a realidade social e constroem propostas. Atuando em redes, articulam ações coletivas que agem como resistência à exclusão e lutam pela inclusão social.” GONH:2007.
A ausência de direcionamento político, de propostas, manifesto, organização, possibilitou o controle da Mídia e o fortalecimento da criminalização fragmentando o movimento. A Mídia passou a exigir uma caminhada de paz, apenas numa simbologia de Revolução, mascarando-a, esquecendo-se que todo movimento de cunho Revolucionário é conflituoso e a revolta contida da população, numa tomada de atitude pelo poder, pode gerar danos e conflitos institucionais e sociais. Esqueceram de pedir paz a quem realmente faz a violência, as forças militares que tem a prática contumaz em desrespeitar os direitos humanos e violentar aqueles que se dispõem a defender projetos e sonhos. Em junho de 2013 quem agredia sem motivos eram os militares, abusando de sua autoridade, coagindo a Juventude, os Universitários e a Classe trabalhadora, da qual eles fazem parte sem se reconhecerem, para obedecer as ordens do Estado.


O Brasil precisa sair da violência republicana que privilegia elites e concretizar a Democracia pela qual a população lutou e conquistou. A democratização da mídia se faz urgente para que se derrube a Ditadura midiática, fruto dos monopólios, grandes muros da comunicação, alienadoras de mentes humanas.  “A mídia é um duplo poder: econômico e político, o único que tem liberdade é o dono. Ainda tem os interesses ideológicos e a consequente manipulação da informação. O que não interessa é omitido e o que interessa é realçado. “www.une.org.br
 Com a democratização da mídia as informações tenderão a chegar de forma mais verdadeiras, ao passo que uma emissora distorce-a, outras trarão a verdade, e o povo brasileiro terá melhor desenvolvimento cultural. Breve o Brasil terá a tv digital, que possibilitará reforçar as redes de televisão públicas e comunitárias. O debate sobre a democratização da comunicação é necessário para efetivar a vivência da democracia no País, pois discute a ampliação às massas do acesso tanto à recepção quanto à emissão de produtos de comunicação. A liberdade de expressão e o fim do monopólio das comunicações são garantias constitucionais.
Os conflitos sociais, entre as classes, nunca deixaram de existir, mesmo com o surgimento de inúmeros extratos sociais intermediários, cada vez de forma mais agressiva, apesar da aparente tranquilidade e paz reinante, as classes abastadas e detentoras dos meios de produção seguem controlando o poder político e militar, utilizando-os, sem nenhuma clemência, quando é preciso para defender seus interesses e a manutenção de seus privilégios. O que ocorreu em junho de 2013 foi o reflexo dessa luta histórica. No passado, apesar de situação semelhante, as classes trabalhadoras souberam criar as condições subjetivas, elaborando e sistematizando suas lutas, organizando seus partidos e associações e combatendo para conquistar uma nova relação social, tarefa que segue presente e necessária nesse tempo de grande desesperança e descrença generalizada. O momento atual exige que as forças populares e de esquerda se reorganizem, criando as condições para caminhar rumo a conquista da efetiva emancipação humana, a qual somente será resultado de ações de grande envergadura, com consciência e organização de classe, o que faltou em 2013.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CRUZ, Fábio Souza e MOURA Marcelo Oliveira.DIREITOS Humanos, Movimentos Sociais e Mídia: apontamentos iniciais e subsídios para debatein in www.bocc.ubi.pt
GOHN, Maria da Glória. Teoria dos Movimentos Sociais: paradigmas Clássicos e Contemporâneos.Sâo Paulo: Loyola, 1997.
GOHN, Maria da glória. Movimentos sociais no inicio do Século XX: Antigos e Novos Atores. Sociais.3-ed.Petropólis-RJ: Vozes, 2007.
http://www.une.org.br/2013/01/brasil-vive-atraso-secular-para-democratizacao-da-midia/

sábado, 9 de maio de 2015

A História obscura do Dia das Mães - Luciana Galastri / Revista Galileu

A história obscura do Dia das Mães

por Luciana Galastri- Revista Galileu

 

 

O Dia das Mães chega com abraços, flores, chocolates, presentes e almoços deliciosos. Mas poucos sabem que a história da data tem seu lado sombrio. E não, não estamos falando (só) do apelo capitalista “para vender presentes”.
Apesar de Getúlio Vargas só ter oficializado o dia das mães como um feriado no segundo domingo de maio em 1932, pode-se dizer que o processo para o estabelecimento da data  começou em 1850 nos EUA, quando uma mulher chamada  Ann Reeves Jarvis fundou clubes de trabalho que funcionavam nos chamados “Dia das mães”. A ideia era que as mulheres trabalhassem para melhorar condições sanitárias e diminuíssem a mortalidade infantil. Os mesmos grupos também cuidaram de soldados feridos da Guerra Civil.
Nos anos seguintes, Jarvis passou a organizar piqueniques em “Dias das Mães” para encorajar mais mulheres a participarem na política e promover a paz. Mas foi sua filha, Anna Jarvis, que estabeleceu a data como ela é hoje.
Anna nunca teve filhos, mas a morte de sua mãe, em 1905, a inspirou a organizar “Dias das Mães” em homenagem a elas. O Dia das Mães deveria ser uma data na qual filhos devem vistiar suas mães e passar o dia com elas, agradecendo pelos esforços que elas fizeram em sua criação. Mas, apesar de algumas cidades adotarem o feriado no segundo domingo de maio, logo os esforços de Jarvis acabaram pendendo para o lado comercial da data, através dos presentes - coisa que Anna considerou uma grande falha.
Quando lojas começaram a encorajar a compra de flores e cartões e Anna percebeu seus propósitos capitalistas, ela passou a organizar boicotes e protestos - tudo para devolver à data o seu propósito original. Em 1923, ela e seus seguidores invadiram uma confecção na Filadélfia. Ela continuou protestando até 1940 - e em 1948, morreu em um sanatório.

                                                                          Anna Jarvis
fonte
:http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2014/05/historia-obscura-do-dia-das-maes.html

sexta-feira, 8 de maio de 2015

sobre a vida, os laços humanos e o amor- Fátima Teles

                                          sobre a vida, os laços humanos e o amor
por Fátima Teles


A vida é um ciclo de aprendizado e isso nos dá sabedoria e experiência. Tudo que vai , voltará para que se complete o ciclo. Todas as pessoas que passam em nossas vidas deixarão um ensinamento, uma lição e possivelmente voltarão de alguma forma.
Mesmo quando não voltam receberemos outras semelhantes para que encerremos etapas também. As pessoas que ontem estavam conosco de alguma maneira, poderão voltar a estarem amanhã sob os mais variados jeitos. É preciso saber analisar e com tranquilidade receber. É preciso abrir o coração para caminhar em novas veredas sob velhas estradas.
O amor na idade primaveril é ávido e enfurecido.Na mesma intensidade que ama, desespera-se, chora, embravece,some, abandona, despreza,e tudo em nome da paixão confundida com amor, que não raciocina, não vê, não ouve.
Nos idos da fase adulta, já amadurecidos(as), não nos desesperamos no amor,apenas amamos, sabendo que podemos ganhar ou perder.Apresentamos o nosso amor em forma de atitude, de gestos, de ações e o eu te amo fica mais completo. Ficamos corajosos(as) para lutar com sabedoria retirando pedras, contornando barreiras, ultrapassando nossas fronteiras íntimas, além das geográficas quando estas teimam em separar o que é inseparável.
Numa fase mais experiente da nossa vida compreendemos que as pessoas tem um tempo na nossa vida e algumas em especial ficam em nós durante toda uma vida ou muitas vidas.E quando saírem sem que tenham
completado o período da concretude do amor, elas irão voltar de algum  modo para que seja vivido aquilo que não se encerrou ou não teve inicio.O mais interessante e sábio, trazido pela própria energia do universo é que elas podem voltar para concretizar não mais o amor que une corpos em sexo,mas o amor na sua mais ampla concepção e dimensão: O amor amizade, o amor família espiritual que une seres em pensamento, abraço, atitudes de acolhimento, compreensão, companheirismo, atenção, carinho, muito carinho.
É preciso saber ver e ouvir os sinais do amor e suas mais variadas formas.Isso é evolução!
entregar os amores aos seus pares...
Nada é perdido , nada é em vão!
o tempo leva, o tempo traz...
esperar caminhando, só não vale parar!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Quem leva a melhor: um cara rico ou uma mulher bonita? - Por Paulo César Perote

Quem leva a melhor: um cara rico ou uma mulher bonita?


Por Paulo César Perote


Muitas mulheres, principalmente as mais feministas, criticam abertamente a tão comentada ditadura da beleza, ou seja, a imposição de padrões inatingíveis, onde uma minoria dita o que é belo. A perseguição incessante desse padrão vem se tornando algo central na vida de muitas.

Recentemente, uma empresa de suplementos alimentares causou polêmica ao espalhar cartazes, no metrô de Londres, que exibiam uma modelo "dentro dos padrões " e questionava se o público estava pronto para ir à praia. A idéia passada por esta propaganda joga com essa preocupação feminina. O cartaz faz supor que quem não tiver o corpo como o daquela modelo não está pronto para ir à praia. Cruel? Sim, bastante. Quem não está dentro dos padrões, esqueça a idéia de vestir aquele biquíni novo.

Curioso é que não há a mesma cobrança para os homens. Eles podem curtir suas praias tranquilas, tendo ou não corpos esculturais. Porém, o homem enfrenta outro tipo de cobrança, a ditadura da conta bancária. Enquanto um corpo bonito é sinônimo de sucesso para as mulheres, dos homens é cobrado o sucesso financeiro e profissional. Homens belos, porém pobres são, na maioria das vezes, invisíveis aos olhos femininos. Pelo menos para a demanda casamento.

Os olhos dos homens se voltam para uma mulher bela, voluptuosa, sensual; mesmo que seja sem grande expressão econômica ou profissional. Ao contrário, os olhos femininos parecem não enxergar a beleza física e até outras qualidades se o sujeito for pobre.

E nesta briga de prioridades tão distinta fica o questionamento: Qual das duas ditaduras é mais cruel? Uma observação que pode ajudar a responder. A beleza é temporária, até por estar intrinsecamente associada à juventude. Já o sucesso financeiro, em geral, é duradouro. Quem vocês acham que leva a melhor?