sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Brejo Santo de Outrora- Fátima Teles

                                                   Brejo Santo de outrora.



Hoje, dia 25 de dezembro de 2015, me dirigi até a Igreja Matriz do sagrado Coração de Jesus , para ver de ainda havia o presépio que acompanha tantas gerações desde os idos de 60 do Século XX .
ele estava lá e como me emocionei ao vê-lo. Recordei a minha infância quando íamos com nossas mães visitar a família de Jesus e reverenciá-lo por ocasião do seu aniversário.
o presépio continua do mesmo jeito, imagens grandes e o menino jesus na manjedoura irradiando a energia de amor que trouxe para a Terra. A única diferença é que ele mudou de lugar. Hoje ele está ao lado da imagem do senhor morto e no meu tempo de criança ele ficava nos degraus que davam para o altar e era ladeado por montanhas de papéis madeira  cor marrom, dando a entender que eram as montanhas de Belém de Judá.

cresci vendo as festas natalinas serem grandes eventos religiosos ( católicos) e sociais em Brejo Santo. Ao lado da igreja havia bancas de comida e  de bugingangas que eram uma maravilha. Comprávamos maçãs do amor, algodão doce, quebra queixo ( uma espécie de cocada). Todos e todas iam as lojas comprar roupas novas e para isso os comerciantes se preparavam.

Por volta das dez e meia da noite do dia vinte e quatro de dezembro, iniciava a missa do natal. A missa ia até a meia noite e o Brejo Santo União Clube ( único clube da Cidade a ofertar festas) só iniciava a festa depois da missa. Todas as pessoas ficavam esperando a meia noite para a banda começar a tocar e dar inicio aos festejos de fim de ano. Ali estavam presentes universitários que vinham passar as férias e o povo em geral.

no Réveillon era a mesma coisa. Só as roupas mudavam,pois era costume duas roupas novas,uma para o natal e outra para o  réveillon. As bancas ficavam ao lado da igreja e a tradicional missa do galo terminava à meia noite com a queima de fogos de artifícios. A banda do Brejo Santo união Clube começava a tocar logo à meia noite e sempre com uma música carnavalesca, para lembrar a alegria da entrada do ano.Havia um momento na festa dançante tanto no natal como no  réveillon que a banda anunciava a confraternização entre as pessoas e naquele momento todas as pessoas se procuravam e se abraçavam desejando felicidades umas às outras.

não posso me esquecer  de dois grandes amigos da família , José Gilberto Pinheiro Tavares (guri) e Eduardo Carolino (dudu), que na madrugada do dia primeiro vinham da festa e passavam nas ruas cantando " adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer, muito dinheiro no bolso , saúde pra dar e vender".

eu acordava com aquela música e como era bom ouvir seus gritos alegres e animados.


o progresso foi chegando, os valores foram se modificando e nós fomos absorvendo-os. As bancas deixaram de existir e restou apenas a missa. A festa dançante não há mais,pois a população optou por churrascarias, casas de amigos, famílias e afins.

a história permanece através da memória .



Fátima teles