domingo, 17 de abril de 2016

Carta à Democracia Brasileira- Fátima Teles



  Carta à Democracia Brasileira

Por Fátima Teles – Assistente Social


Nós que nem ainda te vimos crescer já estamos a beira de te perder. Forças opressoras te ameaçam diante a liberdade que tu representas.

A História do Brasil é a História de lutas e resistência desde a sua formação política e social. Vivemos num País de lutas e embates desde sempre. Somos um País que luta. Um País de povo aguerrido e não povo conformado e acomodado como pensamos e dizemos. Somos um povo de luta e que luta!

Zumbi, Antônio Conselheiro, Tiradentes, Beato José Lourenço, Dragão do Mar, Bárbara de Alencar,
Frei Caneca, Carlos Marighela, Helenira Rezende, João Cândido, Revolta da Cabanagem, Revolta dos Malês, Confederação do Equador, Revolução Pernambucana,etc.
foram tantos os lutadores e as lutadores, personagens históricos(as) que contribuíram com a mudança política desse País e tantos os que  tombaram e sucumbiram diante as forças poderosas de outrora, que chegamos a perder a conta.

os anos de chumbo para nós não passavam de lembranças ou estudos em páginas de pesquisas sobre aquele tempo histórico. Foram vinte anos de Ditadura ,onde as ruas eram solapadas pelos coturnos e cassetetes, que espancavam corpos e almas. As fardas verdes eram o modelo de moral que o País via e devia seguir(era assim que ensinavam pela educação). Torturas e mortes eram praticadas pelas fardas verdes que sorriam diante o sofrimento  que essas forçaa impunham aqueles e aquelas que não concordavam com seus pensamentos e lutavam por um Brasil em que as pessoas pudessem viver com dignidade, com justiça e com menos desigualdade social e econômica.

Minha geração cantou o Hino Nacional nos pavilhões das escolas. Crescemos em meio aos silêncios impostos pela disciplina de Moral e Cívica.
Nos idos da década de 80  já na adolescência aprendemos a gritar por liberdade com Milton Nascimento cantando “coração de estudante”
 Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Tantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê flor e fruto

ERA A CHEGADA DE UM NOVO TEMPO!

Vimos a Redemocratização brasileira abrir caminho e com isso as portas abrirem-se para receberem os filhos do Brasil que até então faziam morada em outras pátrias ,diante o exílio imposto pela Ditadura Militar. E Elis Regina cantava e o coro a acompanhava em “o bêbado e a equilibrista”:
Meu Brasil!...

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete

Saímos da adolescência para a fase adulta cantando a filosofia do Legião urbana em “ Que País é esse?”

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação

Renato Russo, compositor da banda , já via na década de 80 do Século XX a repetição da corrupção que perpassa pelo país desde os primeiros tempos de Colônia. A eleição popular e primeira eleição  depois da ditadura trouxe sérios agravos diante o mandato do Presidente Collor. A desigualdade social e econômica aumentou em vultuosas proporções.

A juventude e a sociedade iniciam os gritos por Direitos. A arte, a literatura, a música são contempladas nesse momento. Os Titãs, grupo brasileiro de Rock  fala muito bem dessa indignação com a música “ Comida”:
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...

A falta de ética na política já trazida pelo governo Collor e a desesperança da juventude em ver a promessa de um novo País desabar pela ganância partidária sem projeto social  ou político que viesse contemplar a maioria da população e principalmente as minorias já tão marginalizadas, fez novamente a música cantar a insatisfação e falta de ideologia que respingava na juventude. Cazuza, o ícone do Rock brasileiro cantou em “ Ideologia”, o desacreditar da juventude e a fuga para o sonho encontrada no submundo das drogas.

Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver


Nunca imaginamos ver  um golpe de Estado em pleno Século XXI, onde o nosso Povo conquistou tantos avanços nos direitos sociais ,legitimados pela Constituição. Onde nosso povo a custa de muita luta conquistou tantos programas sociais através de governos de esquerda para melhorar a vida da população, principalmente as minorias que foram esmagadas desde sempre pela elite que nunca implantou nada que viesse beneficiá-las.

A elite odiosa de ontem é a mesma de hoje que tenta aniquilar as minorias e a população que as defende, pois o seu projeto continua sendo o mesmo:  A continuação da dependência econômica para continuidade dos currais eleitorais, a exploração do trabalho para continuidade da escravidão moderna, a desigualdade social e econômica para continuidade da diferenças de classe, o rebaixamento da mulher para continuidade do patriarcado e opressão. A apartação social para continuidade da casa grande e senzala, ainda que de forma repaginada. A volta do conservadorismo para continuidade da família nuclear onde as liberdades sexuais não possam viver em suas condições e onde as identidades de gênero não sejam reconhecidas.
Não deixaremos o golpe acontecer.

Tu, Democracia que nem ao menos ainda conseguistes crescer no nosso País já querem te assassinar? Lutaremos todos e toda para que tu possas crescer e cada dia ficar mais bonita e cheia de autonomia, gerando liberdade aos filhos teus e as filhas tuas nesse imenso Brasil continental banhado por mares, rios, matas e tanta gente diversa culturalmente que te enriquece a cultura.

Cantaremos ao amanhecer com girassóis e Sol nos iluminando, dando-nos a força para lutar.

Resistiremos, como guerreiros e guerreiras dessa América Latina!

O Brasil é um País de todas as pessoas e de todas as raças!


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Feminismo - Fátima Teles

Feminismo











Fátima Teles

Assistente Social





O que é feminismo?

Feminismo é um movimento social e político que tem como objetivo conquistar o acesso a direitos iguais entre homens e mulheres e que existe desde o século XIX.



O feminismo é um movimento que tem origem no ano de 1848, na convenção dos direitos da mulher em Nova Iorque. Este movimento adquire cunho reivindicatório por ocasião das grandes revoluções. As conquistas da Revolução Francesa, que tinha como lema Igualdade, Liberdade e Fraternidade, são reivindicadas pelas feministas porque elas acreditavam que os direitos sociais e políticos adquiridos a partir das revoluções deveriam se estender a elas enquanto cidadãs. Algumas conquistas podem ser registradas como conseqüência da participação da mulher nesta revolução, um exemplo é o divórcio.



Os movimentos feministas são, sobretudo, movimentos políticos cuja meta é conquistar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, isto é, garantir a participação da mulher na sociedade de forma equivalente à dos homens. Além disso, os movimentos feministas são movimentos intelectuais e teóricos que procuram desnaturalizar a idéia de que há uma diferença entre os gêneros. No que se refere aos seus direitos, não deve haver diferenciação entre os sexos. No entanto, a diferenciação dos gêneros é naturalizada em praticamente todas as culturas humanas.



As sociedades da antiguidade não interpretavam ou organizavam as relações entre homens e mulheres de forma igual. Da mesma forma que havia sociedades poligâmicas onde o homem tenha muitas esposas, haviam as sociedades poliândricas onde a mulher tinha vários esposos. A Ásia é um exemplo dessas duas sociedades.



Houve momentos na história da humanidade, como na Idade Média, em que a mulher tinha direitos mais abrangentes como acesso total à profissão e à propriedade além de chefiar a família. Estes espaços se fecharam com o advento do capitalismo. De modo geral, quase sempre houve hegemonia masculina nos diferentes espaços públicos e da mulher no espaço doméstico.

A luta dos movimentos feministas não se esgota na equalização das condições de trabalho entre homens e mulheres. Trata-se de modificar a concepção, naturalizada, de que a mulher é mais “frágil” que o homem.



§  A luta pela emancipação da mulher remonta do século XVIII e XIX.  Em 1791 foi elaborada a declaração dos Direitos das mulheres e das cidadãs por Olympe de Gouges como forma de chamar atenção diante da promulgação da declaração dos Direitos do homem de do cidadão de 1789 que embora trouxesse ideais de liberdade não abordava a igualdade entre homens e mulheres.

§  Outra mulher se destacou nesse período junto a francesa Olympe Gouges, a escritora inglesa Mary Wollstonecrafte escreveu um livro reivindicando uma educação igual para os dois gêneros.



O movimento feminista se fortifica por ocasião da Revolução Industrial, quando a mulher assume postos de trabalho e é explorada pelo fato de que assume uma tripla jornada de trabalho, dentro e fora de casa.



As diferenças sexuais entre homens e mulheres serviram de base para muitas sociedades organizarem a divisão sexual do trabalho, dividindo as atribuições em trabalho masculino e trabalho feminino. Aos homens cabiam as atividades produtivas da esfera pública e as mulheres ficavam reservadas as atividades da esfera privada, o cuidado com a família, a reprodução ou procriação e o trabalho doméstico. Posição considerada subalterna e desigual.



Essas práticas e representações criadas pela sociedade terminaram por desencadear uma relação de poder entre homens e mulheres, trazendo como consequência a opressão masculina e a submissão feminina, servindo como modelo padrão dominante da relação entre os dois gêneros, o patriarcalismo, onde o homem era o chefe e detentor do poder familiar.



Com a Revolução industrial no final do século XVIII a mulher iniciou a sua inserção no mundo do trabalho e da produção, mas ainda submetida a exploração de toda ordem e assedio moral e sexual por parte de seus patrões.

Nos Estados Unidos, em New York, no dia 08 de Março de 1857, houve uma greve numa fábrica de tecidos realizada pelas operárias que reivindicavam igualdade de salários, uma vez que as mulheres ganhavam menos do que os homens. Elas reivindicavam também a  diminuição da jornada de trabalho já que trabalhavam 16 horas diárias e tratamento com dignidade no espaço de trabalho. Seus patrões reagiram trancafiando-as na fábrica e tocando fogo na mesma com as operárias dentro, vindo a morrer incendiadas 130 tecelãs. Foram assassinadas.



O fato teve repercussão e a organização das Nações Unidas ,ONU, no ano de 1975 estabeleceu o dia 8 de março como o dia internacional da mulher.








O feminismo adentrou no Brasil no inicio do Século XX através da luta pelo voto.

As mulheres que lutavam pelo direito ao voto eram lideradas por Bertha Lutz, bióloga, cientista que morou no exterior e vindo morar no Brasil foi uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Essa organização teve influência direta na conquista do voto feminino brasileiro.





 Aqui no Brasil, no dia 24 de fevereiro de 1932 no Governo de Getúlio Vargas foi garantido o direito do voto feminino através do Código eleitoral e assim além das mulheres votarem , ela iniciaram a sua entrada no mundo da política, candidatando-se a cargos políticos eleitorais.

È importante ressaltar que antes de ser instituído o voto feminino em 1932, no ano de 1928 aqui no Nordeste,



Segundo Baranov(2014), A primeira mulher a ter o direito de votar no Brasil foi Celina Guimarães Viana. Aos 29 anos, Celina pediu em um cartório da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para ingressar na lista dos eleitores daquela cidade. Junto com outras seguidoras, Celina votou nas eleições de 5 de abril de 1928. Formada pela Escola Normal de Natal, Celina aproveitou a Lei n◦ 660, de outubro de 1927, que estabelecida as regras para o eleitorado solicitar seu alistamento e participação. Em todo o país, o estado potiguar foi o primeiro a regulamentar seu sistema eleitoral, acrescentando um artigo que definia o sufrágio sem ‘distinção de sexo’. O caso ficou famoso mundialmente, mas a Comissão de Poderes do Senado, não aceitou o voto. No entanto, a iniciativa da professora marcou a inserção da mulher na política eleitoral.








 Cinco anos antes de aprovado o Código Eleitoral Brasileiro, que estendia as mulheres o direito ao voto, no sertão do Rio Grande do Norte, já ocorrera à eleição de uma prefeita. A fazendeira Alzira Soriano de Souza, em 1928, se elegeu na pequena cidade de Lajes, cidade pioneira no direito ao voto feminino. Mas ela não exerceu o mandato, pois a Comissão de Poderes do Senado impediu que Alzira tomasse posse e anulou os votos de todas as mulheres da cidade isto porque a participação de mulheres na eleição fora autorizada excepcionalmente graças a uma intervenção do candidato a presidente da província, Juvenal Lamartine.







Um livro é lançado em 1949 e se tornará um clássico na luta pelos direitos da mulher

O SEGUNDO SEXO, da Francesa Simone de Beauvoir. Anda hoje serve de base para os estudos sobre o feminismo.

É de Simone de Beauvoir a célebre frase:

“ não se nasce mulher, torna-se mulher”









O livro mostra mostra que a hierarquização dos sexos é uma construção social e não uma questão biológica. Ou seja, a condição da mulher na sociedade é uma construção da sociedade patriarcal. Assim, a luta dos movimentos feministas, além dos direitos pela igualdade de direitos incorpora a discussão acerca das raízes culturais da desigualdade entre os sexos.







Porque os movimentos feministas se opõem às normas hegemônicas de atuação dos homens na sociedade, e por desinformação acerca dos objetivos do movimento, estes sofrem diversas críticas. Muitos acreditam que as mulheres pregam o ódio contra os homens ou tentam vê-los como inferiores. Os grupos feministas podem ser vistos, ainda, como destruidores dos papéis tradicionais assumidos por homens e mulheres ou como destruidores da família.



As feministas afirmam que sua luta não tem por objetivo destruir tradições ou a família, mas alterar a concepção de que “lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos”. O compromisso dos movimentos feministas é pôr fim à dominação masculina e à estrutura patriarcal. Com isso, acreditam, garantirão a igualdade de direitos.



Mas se as mulheres já podem votar, já podem ir para o mercado de trabalho, os direitos já não são iguais? O que mais as feministas querem?

As feministas querem por exemplo o fim da violência de gênero – no Brasil, a cada 12 segundos uma mulher é violentada, de acordo com uma pesquisa da Secretaria de Políticas para Mulheres do Governo Federal, a cada 10 minutos, uma mulher é estuprada, de acordo com o Mapa da Violência, e a cada 90 minutos uma mulher é assassinada, de acordo com o IPEA. Todas essas violências estão relacionadas à questão de gênero – são casos que durante muito tempo foram chamados de “passionais”, são casos que acontecem dentro de casa, no seio familiar, e que se diferem da violência que atingem os homens, que morrem por diversos motivos, mas nunca por serem homens.



 no Brasil as mulheres ainda ganham em média 30% a menos do que os homens para exercer a mesma função, de acordo com uma pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mulheres também são maioria no trabalho doméstico, acumulando funções dentro e fora de casa. São as maiores vítimas de assédio sexual no trabalho, normalmente cometido por homens em situação de hierarquia superior. Enfim, por vários motivos, ainda há muito o que conquistar em termos de direitos.



Feministas são contra a família, o casamento, e se recusam a ter filhos?

Isto não é verdade. É apenas um mito criado em torno da luta dessas mulheres. Feministas são a favor da escolha da mulher, isto é – que a mulher case apenas quando e se quiser casar, que tenha filhos apenas quando e se quiser tê-los e que seja livre para fazer essas escolhas, não sendo julgada se não quiser fazê-las.











Referências









Balada da democracia- Fátima Teles

BALADA DA DEMOCRACIA


os jardins que já não estavam tão limpos, foram invadidos. Sujaram e enlamearam os jardins , numa tentativa de tirar-lhes a vida.

tentaram usurpá-los. Arrancaram o verde de suas folhas. Jogaram-nas ao vento e ao chão.Arrebataram as flores,viram-nas murcharem e como assassinos e loucos, gargalharam.

tentaram desagregar seus caules,mas as raízes que lhes prendiam ao solo eram fortes.As árvores eram todas fortes porque eram filhas da árvore mãe. A árvore mãe sobrevivia as intempéries, as agressões de toda ordem,enquanto os caules tinham que suportar os empurrões, tanto que seus frutos não aguentando as dores expurgaram as sementes, que jogadas no ar, rodopiaram até caírem no chão , esquecidas.
esqueceram as sementes e elas eram muitas, vivas e saltitantes.
as sementes foram e espalhadas entre as folhas e a terra, como um tapete envelhecido.


as sementes...
ah! as sementes...elas cantam em coro e transformam-se em novos jardins,mais bonitos, mais resistentes, mais floridos e crescem em galhos,esparramando-se no ar.
Elas cresceram e estão em todos os jardins, vivas , enfeitando as trincheiras com armas e canhões de flores,cravos e rosas.




Fátima Teles

Lançamento de alumbramento em Fortaleza-CE

                        lançamento do livro alumbramento em Fortaleza-CE
                                            08/abril/2016


a noite do lançamento do livro alumbramento em Fortaleza-CE aconteceu no dia 08 de abril de 2016 no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A noite foi um abraço à arte e a cultura.

declamaram poesias o poeta Doizinho Quental com o cordel Raimundinho, o poeta Maciço de Baturité, O presidente da Academia de Letras do Brasil, Estado do Ceará,Luiz Garcia , O Deputado Estadual  CapitãoWagner, conterrâneos de Brejo Santo e amigos e amigas de Fortaleza.














lançamento de alumbramento no Icó-CE

                           lançamento do livro alumbramento na Cidade de Icó-CE
                                               31/março/2016

a noite de lançamento do livro alumbramento aconteceu na Faculdade Vale do Salgado, Icó-CE, junto ao sarau fenomenológico da Professora Ana Teresa Duarte.

tive a grata surpresa de rever colegas profissionais que me alegraram a alma.