sábado, 23 de setembro de 2017

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Professor José Teles de Carvalho: Um Humanista na Educação de Brejo Santo-CE - Fátima Teles



Professor José Teles de Carvalho: Um Humanista na Educação de Brejo Santo-CE


Por Fátima Teles- Assessora Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação na Área de HHHHHumanas.









Professor José Teles de Carvalho

            A Família Teles de Carvalho veio de Águas Belas, no Estado do Pernambuco, no final do Século XIX, em caravana com a família de Basílio Gomes da Silva e aqui em Brejo Santo fizeram morada. Os avós maternos e paternos, assim como os pais do professor José Teles de Carvalho, eram trabalhadores rurais e viveram por muito tempo no Sítio Garanhuns.

            Era um domingo ensolarado, quase primavera, 15 de setembro de 1918, quando nasceu o menino José Teles de Carvalho, o segundo filho do casal José Teles de Carvalho e Maria Teles de Carvalho (os pais do professor eram primos). Eles vieram residir na Vila Brejo dos Santos e moraram na Rua Tiburtino Inácio, conhecida por Rua do “Juá”.

            O ano de 1924 foi cheio de dificuldades, uma vez que o pai do professor José Teles veio a falecer, deixando dona Maria (Lica), viúva e sem posses, com três filhos para educar. A primogênita, Josefa Teles de Carvalho, depois José Teles de Carvalho e João Teles de Carvalho.






Dona Lica e os seus três filhos: Josefa Teles de Carvalho, Professor José Teles de Carvalho e João Teles de Carvalho


            E a escuridão acabou quando a luz chegou, com o nome de Tereza Maria de Jesus, conhecida como dona molequinha, irmã da mãe do professor José Teles e ajudou a sustentar os sobrinhos com os bolos bom bocados que a população tanto gostava.

            Era o tempo de ir à escola e o menino José foi estudar na Escola da professora Balbina Viana Arrais, concluindo o último estágio que havia em sua escola, que era a terceira série do ensino primário. Por muitas vezes, o menino José Teles, pediu emprestado os livros de seus colegas, pois não dispunha de dinheiro para comprá-los.







Professora Balbina Viana Arrais


O Professor José Teles sempre teve luzes em seu caminho para guiá-lo, pois Deus tinha uma missão para ele e por isso mesmo diante às dificuldades, que não eram poucas, sempre havia portas que se abriam, lamparinas humanas que clareavam sua estrada. Dona Balbina foi uma delas.  Através de correspondência com Frei Adalberto, Reitor do Colégio São Francisco, em Canindé, que recebia e abrigava alunos carentes, ela conseguiu uma vaga para o professor José Teles.

            Dona molequinha, sua tia abnegada, retirou esmolas com as famílias mais abastadas da Cidade e conseguiu o dinheiro para que o menino pudesse seguir viagem. Ela levava o menino José Teles com ela para as práticas das primeiras sextas-feiras, no Município de porteiras, ajudando muitas vezes nas missas celebradas pelo Padre Nonato. Sua tia tinha o sonho de vê-lo exercendo a função de Padre na sua terra natal. Ela não sabia que sua missão era outra. Muitas vezes dona molequinha peregrinou pela região e sempre contando com a solidariedade do povo de Brejo Santo, conseguiu o dinheiro suficiente para que o agora jovem José Teles, continuasse seus estudo no Colégio São Francisco. Ele terminou o ginásio no ano de 1933 e ingressou no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza, pois o seu currículo o capacitava para isso.





 



Dona Molequinha, sua tia abnegada


             O Professor estudou por dois anos no Seminário, de 1935 a 1936. Ele e seu irmão, João Teles iniciaram sua vida de seminarista em Canindé. Porém, no ano de conclusão do curso preparatório do Seminário menor, ele escreveu uma carta ao reitor dizendo que não podia continuar, pois não tinha vocação para exercer o sacerdócio e ficando poderia estar ocupando a vaga de alguém que gostaria de ser padre. Na verdade o sacerdócio do professor seria outro, a Educação. Ele e seu irmão João Teles desistiram de seguir o caminho que o levariam a serem párocos. No seminário, o professor aprendeu Latim, Espanhol, Inglês, Francês, Alemão e com excelência a Língua Portuguesa. Tornou-se um poliglota e um orador loquaz.






Professor José Teles de Carvalho no Seminário

Regressou para Brejo Santo e depois de um ano retorna a Canindé e vai lecionar no Colégio São Francisco. O ex-aluno tornou-se professor da Instituição. Ali ele exerceu o magistério, até os idos de 1940.

            Em 1939, o professor José Teles, conheceu a jovem que lhe encantou a alma, Dolores Lopes Bezerra, era o seu nome, e logo se casaram. Ele com 21 anos e ela com 16 anos. Ela passou a se chamar Dolores Lopes Teles e tiveram a primogênita, em Canindé, no ano de 1940, que recebeu o nome de Maria Neide Lopes Teles. Nesse mesmo ano, vieram embora definitivamente para sua terra natal, onde ele iniciou a construção e o desenvolvimento de sua missão.







Professor José Teles de Carvalho, sua esposa Dona Dolores Lopes Teles com a filha Neide no colo e seu Cunhado, o Professor João Teles de Carvalho


            Pode-se dizer que o professor foi bem-aventurado entre as mulheres. Conviveu com a mãe e suas tias maternas que ajudaram no seu encaminhamento e a Professora dona Balbina que o elevou para a Educação no seminário. Enlaçou-se com dona Dolores e veio a primeira filha, Neide. A caçula, Aurileide. A primeira neta, Núbia. A primeira bisneta, Rebeca e a primeira trineta, Leticya Maria.       

            No ano de 1941, o Professor José Teles e seu irmão João Teles, instalaram no dia 10 de fevereiro o INSTITUTO PADRE VIANA, nome dado em homenagem ao irmão de dona Balbina que tanto o ajudou. Padre Viana também foi um Padre que em muito contribuiu para o progresso de nossa terra. O Instituto era uma instituição à frente do tempo, pois na época não havia nenhum Estabelecimento Educacional com um curso primário atualizado que pudesse preparar os alunos para que seguissem os estudos em outras Cidades. No instituto, eram dadas além das disciplinas básicas do Curso Primário e Admissão, disciplinas do Ensino Médio, como: Português, Francês, Inglês, Matemática e Álgebra.  As salas de aula eram cedidas pelos amigos mais próximos. 





O Instituto Padre Viana e o professor José Teles de Carvalho e a direita sua filha Neide Teles que era professora no Instituto.


            No ano de 1950 adquiriram prédio próprio e o Instituto passou a ser considerado de utilidade pública pela Lei Municipal Nº 119, de 15 de Novembro de 1950, conseguindo seu reconhecimento na Capital no ano de 1960, passando a ter o nome de Ginásio padre Viana, no dia 10 de Março. Em 1965, foi implantado o curso pedagógico e a partir desse ano muitas alunas vinham se matricular com o sonho de ensinar nas escolas Municipais e Estaduais. Inclusive vinha gente até de Alagoas matricular-se, pois havia também o quarto Pedagógico por correspondência. Em 1966, junto ao ginásio, foi autorizado o funcionamento do Curso de Técnico em Contabilidade, como é relatado no livro Professor José teles em Prosa e Verso do escritor e Pesquisador Tancredo Teles.

            O Professor José Teles também prestou serviços à Câmara Municipal, do ano de 1948 até 1979, como assessor da presidência.

            A Fanfarra do Ginásio foi implantada com apenas dois instrumentos: Um tarol e um surdo-mudo. Hoje, são inúmeros instrumentos e o desfile do Colégio que sempre foi a sua maior vaidade, atualmente toca não só dobrados cívicos, mas música popular brasileira e neste ano de 2107 passou na Avenida com a música Let  It be, dos Beatles.

            A tristeza abateu a família do professor mais uma vez com a morte de sua esposa, dona Dolores no maior acidente ferroviário registrado da História do Ceará, em 1951, no Município de Piquet Carneiro. Ela estava indo para a Cidade de Fortaleza passar o natal com sua mãe e levava com ela sua irmã Osmarina, sua filha Neide, com 11 anos, e o sobrinho José Macêdo (Dé Macêdo). O Professor José Teles ficou viúvo com 33 anos e cinco filhos órfãos para serem encaminhados, a mais nova, Aurileide Teles, tinha apenas 01 ano de idade.





Dona Maria Dolores Lopes Teles

As adversidades da vida nunca deixaram de visitá-lo, mas seu espírito corajoso e esperançoso, nunca deixou de acreditar que tudo passaria e que tudo daria certo. Nos tempos mais difíceis os amigos se faziam presentes e ele sempre recebia a luz necessária para caminhar. A Professora Heraclides Lucena Miranda foi uma grande amiga, além de comadre. Ela assinou durante alguns anos como Diretora, quando ele não tinha autorização para tal. Marizinha foi outra grande amiga e vizinha. Assinou como secretária da instituição, assim como a amiga Maria Auriluce de Andrade Arrais, até que a sua filha Aurileide Teles foi qualificada com o registro específico para assumir o cargo até os dias atuais.




Maria Aurileide Teles Figueiredo, filha mais nova é a secretária do Colégio Padre Viana

O professor José Teles era um homem de hábitos simples. Dotado de uma autoridade que a sua presença no Colégio já era motivo de silêncio por todas as gerações que ele alcançou. Porém, ele era sério, cheio de ternura e tinha bom humor. A juventude gostava de tomar cerveja com ele e sentiam prazer em conversar com o mesmo, pois ele tinha uma cabeça muito aberta e aceitava as mudanças que o tempo trazia. Não discriminava as pessoas em sentido algum. E costumava dar oportunidade de ensinar em seu Colégio todas as pessoas que ele sentisse que podia confiar. Era um home desprendido, ajudar era o seu lema e maior prazer. Tanto que carregava a educação de forma jesuítica. Embora o Colégio sendo privado, ele fazia dele uma Instituição pública, pagando apenas quem pudesse. Se hoje fosse feita uma estatística, com certeza saberíamos que a maioria da população de Brejo Santo, nos anos 70 a 80, do Século XX, estudou e recebeu um diploma gratuitamente. 

            Pode-se dizer que o professor José Teles formou quase uma sociedade. Houve um tempo que ele recebia bolsas de estudo do Governo estadual, principalmente do governo Virgílio Távora que era seu amigo pessoal, vindo até a trocarem cartas. Quando essas bolsas deixaram de existir, ele não queria negar os estudos e continuou a dizer as pessoas que não tinham recursos que continuava tendo bolsas, e pagava do seu próprio bolso, de sua aposentadoria. O Colégio passou muito tempo sem poder realizar uma reforma ou investir em tecnologia nenhuma, devido à visão humanista do professor que estava mais preocupado com o ser do que com o ter. Esse foi o primeiro exemplo e o mais bonito que ele deixou. O segundo exemplo o Colégio carrega até os dias de hoje e cada um de nós também, onde não se discrimina as pessoas pela classe social ou raça, nem pela religião ou orientação sexual e gênero.

            Em 1988, foi Candidato a Vice-Prefeito nas eleições para prefeito, junto a Chapa de seu ex-aluno e querido amigo Dr Sebastião Gomes de Almeida. Foi Convidado para ser o secretário de Educação pelo Prefeito que ganhou as eleições, Dr Wellington Landim. O Professor não aceitou o cargo, devido ao peso da idade não lhe possibilitar a disponibilidade de tempo junto às demandas.

            Quando se aposentou, os netos Napoleão e Tancredo, foram realizando algumas mudanças no Colégio. O Professor continuou a ser reverenciado, principalmente no dia de seu natalício, 15 de Setembro. Nesse dia, havia festa dançante no Brejo Santo União Clube e era uma grande festa. A direção do Clube contratava uma banda comparada as que vinham para o natal e réveillon. A população e o comércio se preparavam para esse dia. As vendas dobravam e os encontros entre amigos e paqueras já eram marcados para aquele dia. Muitos namoros foram firmados naquelas festas dos dia 15 de setembro.

            O Professor José Teles também era freguês assíduo do bar Caldeira do inferno, do amigo e parente Chico de Sinésio. Ele tinha até a sua cadeira e era considerado o presidente da Caldeira.

            No dia 08 de Julho de 1997, às 14h00min, no Hospital geral de Brejo Santo, partia para as esferas espirituais o professor José Teles de Carvalho, vítima de complicações cardíacas e renais. O seu velório foi realizado no Colégio Padre Viana, onde foi visitado por grande parte da população brejo-santense. O enterro se deu, no dia 09 de Julho, pela manhã, mais precisamente às 10h00min e o cortejo foi seguido por uma infinidade de gente, assim como pela fanfarra que leva o seu nome e pela maçonaria que tanto o admirava. A missa foi celebrada pelo amigo Monsenhor Dermival de Anchieta Gondim. A multidão acompanhava em silêncio o enterro do mestre.

            Com a morte do professor, o seu neto Tancredo Teles, foi quem primeiro assumiu a direção do Colégio, vindo posteriormente assumir o cargo a sua filha primogênita, Neide Teles e hoje o seu filho e neto do professor, Napoleão Teles, que com maestria e visão empreendedora conseguiu elevar o Colégio a um patamar de grande porte comparado aos de rede privada que existem na Região do Cariri.





Francisco Tancredo Moreira teles , seu neto, foi o primeiro Diretor do Colégio Padre Viana depois da morte do professor José Teles de Carvalho








Dona  Maria Neide de Araújo Teles, filha primogênita do professor José Teles de Carvalho foi a segunda Pessoa a dirigir o Colégio Padre Viana






Artur Napoleão de Araújo Teles, neto do professor José Teles de Carvalho, foi o terceiro Diretor do Colégio Padre Viana e até os dias atuais.





O Colégio Padre Viana hoje







O Colégio Padre Viana hoje



O Poder Legislativo de Brejo Santo, na data de 18/06/1998, por unanimidade, aprovou o Projeto de Lei de Nº 062/98, de autoria do vereador Francisco Valmir de Lucena, o nome do professor José Teles de Carvalho para o LICEU. No dia 19/06/1998, o Poder Executivo, através do prefeito Francisco Wider Lucena Landim, sancionou a Lei Municipal Nº 3017/98, que intitula o LICEU de Brejo Santo com o nome de professor José Teles de Carvalho.



Avós paternos do Professor José teles de carvalho

Pedro Teles de Carvalho (Pedro Anselmo)
Dina Maria da Conceição

Avós maternos do Professor José Teles de Carvalho

Antônio Gonçalves
Catarina Teles de Carvalho


Pais do Professor José Teles de Carvalho

José Teles de Carvalho
Maria Teles de Carvalho




A Família do Professor José Teles de Carvalho se constituiu assim:

Esposa: Maria Dolores Lopes Teles

Filhos:  Maria Neide Lopes Teles
              João Lopes Teles
             Cleide Lopes Teles
              Giovane Lopes Teles
              Francisco Lopes Teles
             Maria Aurileide Lopes Teles












Os filhos do professor José Teles de Carvalho e Dona Maria Dolores Lopes Teles:


Fonte:
TELES, Tancredo. Professor José Teles em Prosa e Verso.