segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A Sétima Arte m Brejo Santo-CE- Fátima Teles



A Sétima arte em Brejo Santo-CE




Entre as décadas de 60 e 80 do Século XX, Brejo Santo teve quatro Cinemas. O primeiro foi o Cine Arte ,localizado onde hoje está a loja do senhor Quintino.. O seu proprietário era o senhor Artur, vindo de outra Cidade. O Cine demorou pouco assim como o seu dono.



Encontramos no livro Brejo Santo e algumas lembranças de seu passado, do brejo-santense José Carlos Araújo Santana, um fato histórico e algumas considerações sobre a Sétima arte em nossa Cidade. Segundo o autor, O senhor Assis Nobilino  foi dono do Cine Itamarati, um dos primeiros a serem instalados no Município.



O segundo foi o Cine Avenida e funcionava onde hoje está localizado a loja de móveis MACAVI. O Cine Avenida tinha vários sócios, entre eles: Neco Jacinto (Empresário da época),Otacílio Aves(Empresário da época),Vicente Madeiro(Empresário da época), os irmãos Benone Anselmo Araújo e Roque Anselmo de Araújo(Empresários da época).
A máquina que passava os filmes era d 16 milímetros. Esse Cinema foi inaugurado na década de 60.O Cine Avenida também veio a fechar.

Conforme José Carlos Araújo Santana , para o Cine Alvorada ser trazido foi feita uma campanha junto a sociedade e para isso o professor José Teles de Carvalho e o próprio José Carlos Araújo Santana fizeram discursos em favor da instalação do Cinema que contava com a modernização da última versão da época, “cinemascope”.
Segundo o autor, o equipamento foi instaurado através de uma  sociedade entre comerciantes, fazendeiros da terra, profissionais liberais e de outras áreas de atividade. Alguns dos Cidadão de Brejo Santo que compuseram a sociedade, além dos que foram colocados na primeira parte do texto.

“Manoel Denguinho,  Otacílio Alves, Emílio Salviano, Vicente Madeiro,  Carlos Martins, Joaquim Nicodemos,  Dr. Miranda,  Benoni Anselmo, Edmar Lucena, Valter Moura, Pedro Tavares, Francisco Inácio,  José Araújo Santana, Euclides Patrício, e muitos outros,em verdadeira obra coletiva, numa demonstração da força de que é capaz a solidariedade de Brejo santo”.
Palavras do autor






Logo mais em 1967 os irmãos Benone Anselmo de Araújo e Roque Anselmo de Araújo reabriram o Cinema com o nome de Cine Alvorada. Eles eram intelectuais, homens de conhecimento e visão de futuro.
A inauguração foi com o filme O espião dos espiões ( primeiro filme), no horário vespertino. E O filho pródigo no horário noturno. Os filmes vinham de Fortaleza, distribuídos por Luis Severiano Ribeiro, conhecido  e importante no ramo de Cinema. A máquina era moderna para a época, uma vez que tinha 35 milímetros(ascope), e dentro do Cine parecia um Teatro Municipal de tão bonito. Havia uma cortina e no vasto salão tinham 204 cadeiras que cabia uma grande quantidade de pessoas.

Os filmes eram variados, de acordo com o que estava em voga. A Semana santa sempre os filmes Paixão de Cristo. Muitas gerações ainda lembram de Marcelino pão e vinho, que arrancava lágrimas de todas as idades. Eu sou testemunha. Os filmes dos Trapalhões era uma gargalhada só. Os de Mazaropi eram cômicos e de uma brasilidade maravilhosa. Havia também os românticos como Candelabro Italiano e Dio come te amo. O filme O menino da porteira não cabia tanto choro.

A matinê sempre era no Domingo e durante a semana os filmes tinham inicio sempre Às 18:30 e quase sempre tinham duas sessões.

Quantas paqueras e quantos namoros foram feitos no Cine Alvorada...eram tempos de piscar o olho e de pegar nas mãos.

Era uma delícia comprar a pipoca para entrar no Cinema com amigos, com a família, com os amores.
O Cine Alvorada funcionou até 1986 e hoje os irmãos Roque Anselmo de Araújo e Francisco Anselmo de Araújo são proprietários da Gráfica Urânia que também foi pioneira nesse ramo.







Ainda na década de 70 o Monsenhor Dermival de Anchieta Gondim inaugurou o Cine Paroquial, onde exibia filmes vindo de Fortaleza. As duas máquinas vieram da Alemanha e de Brasília. Era automática e de 16 milímetros.
Os filmes eram religiosos, de caubóis e de Guerra.

O Monsenhor contou-me sorrindo que quando passava um trailer de algum filme de amor e os personagens se beijavam, a moçada gritava e ele colocava a mão na máquina e dizia em tom de autoridade: “ SE não parar de gritar não tem mais filme”. Ali a moçada toda ficava em silêncio esperando o filme que vinha para ser visto.

Era do Monsenhor também a sorveteria que tinha embaixo, no prédio onde funcionava o Cine Paroquial. Ali se vendia o sorvete para quem ia assistir ao filme.

Os filmes eram exibidos todos os dias. Na Semana Santa passava um filme de Nossa senhora que sempre lotava o Cine, além dos de Guerra que era casa lotada. O horário sempre era a noite, às 18:30.

O Monsenhor Dermival também levou a Sétima Arte para as Cidades circunvizinhas: Jati, Porteiras , Penaforte. Uma vez por Semana essas Cidades eram contempladas com o Cinema.

Por volta de 1984 o Monsenhor fechou o Cine devido ao seu trabalho à frente da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, cada vez mais lhe chamando para sua missão.






 Segundo Dr. Ronaldo Lucena, Médico e grande intelectual do Município, Há poucos anos funcionou também, nos "prédios de Dalton", o Cine Art Alvorada, um singelo projeto dos Amigos da Cultura - Casarão, Nascença e Outros (AMIC - CANAO) idealizado pela saudosa amiga Lenira Macedo e que, numa sala de projeções, exibia filmes marcantes, com entrada simbólica, aos moradores de bairros periféricos. Lá, por ocasião do centenário do mestre Pixinguinha, realizou-se "A Noite do Chorinho", um evento rico que dissecou a vida e obra do fabuloso cantor, com direito a "palinhas" de chorinhos cantadas pelo Sr Messias Cabelereiro. Com a furtiva morte da sonhadora amiga, o "Cine Art Alvorada (nome em alusão à história do cinema brejo-santense) fechou as portas. O equipamento desse singelo cinema encontra-se guardado nas instalações da "creche de dona Leda" esperando uma oportunidade para "renascer". 



Entrevista realzada com os irmãos Roque Anselmo de Araújo e Francisco Anselmo de Araújo, Monsehor Dermival de Anchieta Gondim e Valmir Alves.






para saber mais sobre o signfcado da Sétima Arte.http://entrelinhablog.com.br/porque-o-cinema-e-considerado-a-setima-arte/