segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A História do Bloco O Cabeção - Fátima Teles



A História do Bloco O Cabeção

Por Fátima Teles, Professora Formadora da Área de Ciências Humanas da Secretaria Municipal de Educação de Brejo Santo-Ce, Assistente Social, escritora e Poeta.
 MESTRE ADISIO, MEU BU, ZE MACREIA, NEZINHO DU BREU, CHICO DE SINEZIO E UA.



A fundação do bloco o Cabeção se deu em meados de 1964 , Século XX, na Rua Padre Abath ( Rua da lama) por Zé quarenta , “Meu Bu” e  Estropelio. Até o ano de 1968 o Bloco saia apenas com uma bacia de alumínio na cabeça que eles encontraram no lixo. Nessa simplicidade eles se divertiam e eram seguidos por uma multidão. Na década de 70 , entre os carnavais de 1974 e 1975 foi incorporado o boneco por  “meu bú” e Chico de Sinésio. Os primeiros carnavalescos do bloco foram “ Zé Nilton de Perai”, o soldado “Estropélio”, “cara veio” , “Meu Bu” e Chico de Sinésio, tendo como ponto de concentração a caldeira do inferno.

O bloco recebeu o nome devido ao tamanho da cabeça (alegoria) que assustava as crianças e surpreendia os adultos que observavam.

Lembro-me ainda da minha infância, quando o Cabeção passava nós corríamos para dentro de casa, pois o medo era enorme. Para nós, crianças, era muito esquisito um cabeção tão grande caminhar e correr pelas ruas. Nos idos de 70 não tinha música acompanhando, era apenas um cordão de gente bebendo e caminhando.
 
Fato interessante é que sem aparatos tecnológicos o bloco saia alegremente e as pessoas ali respeitavam-se umas às outras. O único mela mela era de massa.


 CHICO DE SINEZIO, MARCINHO, MESTRE MUNDINHO, MESTRE ADISIO, ZE MACREIA, MEU BU E NEZINHO DU BREU.


 NEZINHO DU BREU, BOSCO, NO CABEÇÃO DEMI, MEU BU, CHICO PIRRITA, ZE MIRANDA, CHICO DE SINEZIO, MESTRE DO GOIPE, ZE MACREIA, DEDE DE SINEZIO E MESTRE ADISIO.

 HELDER, FILHO DE JOAO ZACARIAS, MALA, WANDERLEY, ZE MACREIA, CHICO DE SINEZIO, HAMILTINHO, MEU BU, UA, ZE NEGAO, CAPITAO, MESTRE DO GOIPE, JARDIM, GESSI, JUVENAL, EDUARDO, ZENILTON CABRECHO, HELIO LEITE, BOSCO, DOIZINHO E NO CABEÇAO DEMI.




A primeira música do bloco considerada como hino, foi idealizada por Ribamar e Doizinho. A segunda versão foi realizada em 2004, por Doizinho (letra), Raí Neto (música) e Paulinho Nascimento e Guri (Arranjos).

A alegoria se modificou com o decorrer do tempo. A primeira era uma bacia com chifres, anos depois surgiu a segunda, feita de alumínio. Atualmente a estrutura é construída de aço.

O principal intuito do bloco é a diversão. Desde o início o “ritual” é o mesmo: os participantes concentram-se em algum bar, e percorrem a cidade de bar em bar até chegarem ao seu último ponto, como em uma “via sacra”. Naquela época os integrantes partiam da caldeira do inferno, tendo como parada os bares Zezinho Zablo, Seu Ivo, Toca do Leão, AABB e encerrando na matinê do Brejo Santo União Clube.  O ponto de partida era no Bar Canal, percorrendo praticamente todos os bares de Brejo Santo, e se encerrando tradicionalmente no B.S.U.C.


O bloco se expandiu tanto ao ponto de ser reconhecido e registrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro como maior Bloco de Carnaval de Brejo Santo.

Segundo Tomé, a partir do ano 1991 uma equipe se reuniu e fez o bloco ir às ruas da cidade. A equipe era responsável pelas despesas, mas depois o bloco começou a se expandir, então pediram patrocínios para a realização do mesmo. De 1991 até meados de 2013 a concentração era no Bar Canal, de Eugênio, um dos integrantes da equipe que organizou a volta do bloco. A concentração atualmente é no Bar de Devinha e a organização está sob o comando de Ruy e Tomé com o apoio da Prefeitura Municipal de Brejo Santo.
Quando se aproxima o carnaval os ensaios do bloco acontecem dois domingos antes no Brejo santo União Clube.
Atualmente os compositores e músicos saem em cima de um caminhão tocando, cantando e animando a multidão que o acompanha. O Bloco percorre muitas ruas da Cidade, chegando a atravessar a BR para prestigiar o Bairro São Francisco. Ruy Eudes é o grande animador e entusiasta do Cabeção. Compositor e poeta, quase todas as composições são suas.
É impossível ver o Cabeção e não lembrar da figura poética de Rai Neto, o maior poeta da Cidade. É de sua autoria e de Doizinho a música Hino do Cabeção:
“ Lá vem o cabeção de novo
Todo ano ele sai sem ter cordão
Gente da gente
Gente do povo...”

O Poeta e Compositor Rai Neto e seu irmão também compositor Paulinho Nascimento



O boneco Cabeção


  

              Ensaio do bloco O Cabeção com Ruy Eudes no Brejo Santo União Clube


RUy Eudes no caminhão levando a multidão com suas composições e as dos demais companheiros



Que as novas gerações possam continuar a brincadeira com gosto de cultura.
Que o Cabeção possa continuar a ser o Cabeção.




Fonte :
 Entrevista com Rato Tomé no ano de 2005 pelos alunos do Colégio Padre Viana para uma Exposição Cultural quando fui a Coordenadora pedagógica .
Entrevista com Chico de Sinésio


Obs : as lembranças da infância são da autora do texto

 

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