sexta-feira, 22 de maio de 2015

As muitas mortes que eclodem através da morte de um ente querido- Fátima Teles



As muitas mortes que eclodem através da morte de um ente querido

Quando alguém do convívio cotidiano parte para outras esferas, há um processo de ruptura entre o corpo ausente e aqueles que ficaram com a dor da saudade.
Essa ruptura dá origem a outras mortes que provocam outras rupturas na vida dos que ficam. Quando se perde um pai ou uma mãe principalmente, há também ai a perda da referência, da identidade. Há o medo de olhar o mundo lá fora, de confiar nas pessoas, de ser livre, de viver, de abrir-se. Para isso não há idade.

O processo de ruptura leva de nós sentimentos ou coisas que nos incomodavam e faz um arrastão dentro da gente que nos convida a enfrentar a realidade da forma mais verdadeira que pode existir.

Ilusões se vão...passamos a analisar a vida pela razão.

Amores deixam de ser importantes, pois passamos a compreender que ninguém é de ninguém e que a vida é efêmera. Passamos a deixar as pessoas a vontade até o ponto de irem embora, se julgamos que seja melhor.
Amores platônicos deixam de existir e a possibilidade de amores virtuais também deixam de existir, pois começamos a acreditar no amor palpável. Esses amores morrem.

Amizades são selecionadas e mantém-se vivas até enquanto puderem  demonstrar amizade.
Ficamos mais inteligentes e passamos a compreender que as pessoas gostam de ter funções em nossa vida. Há quem queira ser útil na dor, há que queira ser útil na alegria, há quem queira ser apenas presente,  há quem não queira nada...

Há quem goste de nós perto, há quem goste à distância, há quem goste de nos ver, há quem goste através das telas virtuais e pelos e-mails, há quem goste apenas quando precisa de alguma forma e há quem goste de todo jeito , toda hora e para sempre.



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